Patrinando

Queen e a masculinidade frágil do roqueiro

30 de junho de 2020

Apesar de gostar muito de algumas bandas de rock, não me considero roqueira. Ouço muito mais outros gêneros musicais. Mesmo assim, minha banda favorita é Queen. Tenho algumas blusas da banda e do Freddie Mercury e sempre uso por aí. Sempre que alguém me vê com camiseta com o brasão da banda, há duas reações comuns: falam a música favorita ou começam a se justificar por gostar da banda. Mas por qual motivo homens cis héteros precisam se justificar pra curtir o som de uma das melhores bandas de todos os tempos?

Freddie Mercury não era hétero. Os clipes do Queen são extravagantes e caóticos, não é só I Want To Break Free. Inclusive, a música virou um hino LGBTQI+ por acidente. A composição é do ex baixista, John Deacon e é sobre pessoas tímidas se expressarem, na real.  Muitos fãs da banda não são héteros, inclusive eu. E isso abala a masculinidade frágil alheia. Sim, alguns caras acham que terão a sexualidade questionada ou invalidada por gostar da banda porque um dos integrantes não fazia parte do padrão heteronormativo. Freddie Mercury foi um grande artista e não cabia em padrões impostos, seja socialmente ou musicalmente.

Por esses caras, eu só sinto muito. Deixar de apreciar uma discografia incrível e não dançar ou cantar Queen só para poder se reafirmar como hétero é algo triste e tosco. Como Freddie cantava em We Are The Champions: ”No time for losers”. Ou em um meme brasileiro atual: ”sem tempo, irmão”.

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