Being Êrica

Primeira tatuagem: a história por trás do desenho

15 de novembro de 2018

Fazer uma tatuagem nunca esteve nos meus planos, para ser bem sincera. Sempre tive muito medo de enjoar do desenho e, sendo algo definitivo, seria complicado. Mas, depois que meu pai faleceu, que por sinal odiava tatuagem, a vontade de ter algo sobre ele sempre em mim passou a ser enorme. Sempre fomos muito apegados, então faria sentido ter algo que simbolizasse o nosso elo de muitas encarnações. Desde que decidi fazer algo para homenageá-lo, surgiu a dúvida: qual será o desenho? Conversando com a Mila, editora aqui do blog, ela sugeriu uma acácia imperial, que tem uma longa história na minha família que ela já conhecia. Compartilhei a ideia com a minha mãe, que na hora topou tatuar também. Mês passado viajamos para Joinville e voltamos com cachos de acácias em nossos braços. 

Como adoro compartilhar experiências aqui no blog, não seria diferente com a minha primeira tatuagem. Portanto, se você tem curiosidade sobre os cuidados, como escolher o tatuador e se dói, vamos falar sobre tudo isso! Mas, se você veio até aqui só para saber o que significa, também vou sanar a sua curiosidade. 

O significado: 

Como eu disse, tem toda uma história familiar ao redor da tatuagem. Quando eu tinha uns quatro anos, nós estávamos passando em uma avenida meio movimentada daqui da cidade. No canteiro central, tem uma série de acácias imperial, que meu pai costumava chamar de brinco de princesa. Como elas estavam bem floridas, eu lembro que perguntei que árvore era aquela. Meu pai respondeu “você não conhece brinco de princesa?”. Não. Ele estacionou, buscou um cacho de flor e trouxe para mim. Como ele gostava muito daquela árvore, acabou virando tradição. Sempre que passava por uma, e eu não estava junto com ele, apanhava um cacho e trazia para mim.  <3

Mas, como temos um cacho em cada braço, a tatuagem ganhou um significado bem maior. Não simboliza só a nossa ligação com o meu pai. Mas a união entre eu e minha mãe, que também é muito forte. Além de ter marcado nosso primeiro ano viajando juntas. Metade de mim está nela e, definitivamente, metade dela está em mim!

A escolha do tatuador e o desenho:

Na hora que você decidir que tatuagem vai fazer, é importante saber que tipo de traço você quer. Não adianta procurar um tatuador que faça traços mais finos, para te fazer uma tatuagem maori. Pesquise sobre o tipo de tatuagem e quais tatuadores costumam fazer próximo do que você quer. Eu, por exemplo, sempre soube que queria uma tatuagem bem delicada. Traços mais finos. Como íamos viajar juntas, comecei a pesquisar tatuadores nas cidades por onde passaríamos. Quase tatuamos na nossa viagem em junho, mas nenhum parecia certo ainda. Até que, através da hashtag #tattoojoinville eu encontrei o Leandro, do estúdio Schädel Haus Tattoo. Só de olhar os desenhos no instagram dele, nos apaixonamos pelo tipo de traço e soubemos que era com ele que faríamos a nossa. Inclusive, clica aqui para conferir o trabalho dele 

De inicio, nós pensamos em tatuar a árvore inteira e foi essa a proposta que passamos para o Leandro. Nem chegamos a contar a história inteira. Só explicamos que seria uma homenagem ao meu pai e qual era a planta que gostaríamos de tatuar. Não demorou muito, ele nos disse “Olha, tive outra ideia, vou desenhar e ver se vocês gostam”. Gostamos de primeira, tanto pela ligação de ser um único galho e dois cachos, quanto pelo fato da história original envolver exatamente os cachos de flor. Para a junção ficar certinha, minha mãe tatuou no braço esquerdo e eu no direito.

O processo e a cicatrização:

Foi bem mais rápido do que a gente esperava. Afinal, elas não são muito grandes, tem cerca de 10 cm. Mas ainda assim achávamos que ia demorar bem mais. No braço da minha mãe, o processo demorou 1h45, no meu demorou uns 20 minutos a mais. Graças a Deus não doeu, viu? Eu sou meio fraca para dor e tive medo de acabar mexendo o braço caso doesse demais. Incomodou mais na hora de colorir, por que a região já estava sensível. Portanto, foi bem tranquilo. 

Minha tatuagem começou a descascar uns 2 dias depois que tatuamos. Em uma semana ela já estava sem casquinha nenhuma. E só foi coçar, quase perto de completar 15 dias. A da minha mãe demorou um pouco mais para começar a descascar e coçou bastante. Quando a minha já estava quase toda descascada, a dela começou. Como fizemos juntas, deu para ver bem a diferença nos processos de cicatrização. Sendo assim, sem medo! Seu processo não será igual também. E se surgir dúvidas, converse sempre com o tatuador. 

Os cuidados: 

Cada tatuador costuma passar uma série de cuidados que acha válido você tomar. Além de indicar uma pomada para o processo de cicatrização. O Leandro, por exemplo, me recomendou a Bepantol Derma, três vezes ao dia. Recomendou usar o plástico durante o primeiro dia e depois só para dormir, ou se formos em lugares muito sujos. Já que é bom deixar a tatuagem respirar o máximo possível. E nada de coçar ou tirar a casquinha, viu? Depois de cicatrizada, cremes de pele estão liberados e nunca devemos ir ao sol sem protetor solar. Tendo em vista que moramos em uma cidade que tem um sol para cada um, é importantíssimo para a tatuagem não desbotar demais. 

Muita calma nessa hora!

Esse primeiro mês foi o tempo de entender como funciona tudo, sabe? Tive medo de tudo, principalmente quando tirei o plástico e tinha uma gosminha da cor da tinta. Tinha medo de sol, de passar o protetor solar depois de cicatrizado. Tive medo antes também. Tive medo de fazer em outra cidade, muito longe da minha e quando terminasse de cicatrizar ela não ficasse boa. A cor não ficasse ideal. Imagina só, como eu voltaria para retocar? Mas, o importante é encontrar um tatuador que entenda o que você quer e trabalhe com qualidade, igual eu encontrei o Leandro. Inclusive, se você for de Joinville ou região, ele está mais do que recomendado. Voltaria para fazer muitas outras com ele. Ah, e se prepare para viciar. Quando me diziam isso eu ficava: “magina! Nem vou viciar não”. Tatuei há um mês e já estou planejando as próximas sete. 

Aproveita que você está aqui e me conta qual seria a sua primeira tatuagem! E, se você já for do time dos tatuados, me conta a sua experiência também. 

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5 Comments

  • Reply Rédestaca 2018: os 5 melhores momentos para cada uma de nós! | Ré Menor 31 de dezembro de 2018 at 16:16

    […] Outra meta dos 25 antes dos 25. Queria muito homenagear meu pai e a tatuagem saiu bem melhor do que eu esperava, além de simbolizar algo muito maior com o desenho feito pelo Leandro. Agora, não é só uma homenagem ao meu velho, mas também parte da ligação que tenho com a minha mãe. Além de marcar nosso primeiro ano como mochileiras juntas. São muito significados e compartilhei um pouco dessa experiência nesse post, para ler, clique aqui. […]

  • Reply Lucy Silva 15 de novembro de 2018 at 20:05

    Essa sabe como falar e viver! Motivos sem limites para continuar sua fa 😍

  • Reply Clara Rocha 15 de novembro de 2018 at 20:05

    Significando tocante e desenho lindo! ♥ Me emocionei lendo a história por trás da sua tattoo. Aos poucos você vai pegando jeito com tatuagem e perde alguns medos. Mas sempre que for ficar muito tempo exposta ao sol, como piscina e praia, passa protetor sim. E eu mesma, passo muito hidratante nas minhas para que elas fiquem sempre bonitinhas!

  • Reply Lucy Silva 15 de novembro de 2018 at 20:03

    Esse fenômeno Êrica! Encanta em tudo, sou sua fã. Obrigada por compartilhar sua intimidade com tanta habilidade!!!

  • Reply Eva Camargo 15 de novembro de 2018 at 19:50

    Que linda tatuagem e que linda história! Eu fiquei apaixonada, agora vocês estarão juntos e conectados para sempre!
    Eu nao tenho ainda, mas, pretendo fazer um girassol. Quero que ele fique em alguma parte dos lados do meu corpo e voltado para frente, na direção que olho. Assim como o girassol se volta sempre para a luz, eu sempre quero estar voltada para a luz também.
    Te acompanhando sempre aqui.

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