Azar Crônico

Empatia: por que é tão difícil encontrá-la?

8 de novembro de 2018

Andei jogando essa palavra no google. Não que eu não saiba o significado. Mas, não queria errar ao te contar qual é. De acordo com a página significado, empatia é “a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela”. E eles ainda dizem mais: “A empatia leva as pessoas a ajudarem umas às outras. Está intimamente ligada ao altruísmo – amor e interesse pelo próximo – e à capacidade de ajudar”. É exatamente aí que eu quero chegar. Mas, vamos por partes. 

Estou lendo um livro, para resenhar na semana da Consciência Negra. O ódio que você semeia. O título é impactante o bastante e se encaixa muito bem na trama em si. O livro conta a história de uma menina negra, que tem sua vida dividida entre dois mundos. O gueto onde vive e a escola particular em uma parte nobre na cidade. A questão é que, em uma noite, seu melhor amigo é assassinado. Injustamente. Pela policia. Com medo de represália, Starr vive um conflito interno sobre o que faz. Se grita para o mundo a verdade sobre aquela noite ou se esconde e continua sem correr riscos. Mas, Êrica, o que isso tem haver com empatia?

— Eu entendo, mas Khalil não tinha que vender drogas – eu digo. – Você parou. 
— Verdade, mas se você não se coloca na posição dele, não o julgue. É mais fácil cair nessa vida do que sair dela, principalmente em uma situação como a dele. (…)

Bem, talvez comece pelo fato de eu ser branca. Provavelmente, não vou ser parada pela polícia por qualquer motivo. Ou melhor, por motivo nenhum. Só que não sou uma alienada. Sei que coisas desse tipo acontecem o tempo todo. E não muito longe de mim. Qual é, sabemos que situações como essa não são peculiaridades dos Estados Unidos. São realidades em diversas regiões do nosso país. A cada capítulo eu prendo mais a respiração e reflito mais sobre algo. Mas, a verdade é que O ódio que você semeia me faz pensar em empatia do começo ao fim. Apesar de esse texto ser sobre empatia de uma forma geral, vou tomar o livro como base para conversarmos aqui, ok?

Ainda estou na metade da leitura, mas a cena que mais gostei até então é de uma conversa entre Starr e seu pai. Na conversa, ele basicamente explica para Starr como as coisas funcionam de verdade. Por que as favelas e guetos vivem nesse ciclo vicioso de falta de oportunidades e encontrar nas drogas (seja no consumo ou na venda) um refúgio. E isso me fez refletir sobre como julgamos as pessoas, o tempo inteiro sem nos colocarmos verdadeiramente em seus lugares. “…mas se você não se coloca na posição dele, não o julgue”. Ter empatia não é tão simples. Francamente, quem eu quero enganar? Empatia é complicadíssimo. Por que a gente consegue entender algo pelo qual vivenciamos, sem problema nenhum. Mas se importar com uma causa que você não vive na pele, é quase que um mito. 

— É por isso que as pessoas estão se manifestando, né? Porque não vai mudar se a gente não disser nada. 

Mais do que isso, Starr. Na verdade, nada vai mudar se não formos empáticos. Talvez, para isso, o primeiro passo seja ouvir. Eu nunca vou vivenciar na pele situações como as do livro, mas posso ouvir quem vivencia. Eu nunca vou sofrer preconceitos pela minha sexualidade, mas posso ouvir quem vivência. Mais do que isso, posso me deixar imaginar como seria estar no lugar dessas pessoas. Posso não tomar o lugar de fala que não é meu. Como, por exemplo, homens querendo decidir se mulheres podem ou não abortar. Sério? O que eles sabem sobre o que é passar por um processo de gestação?

Empatia, meu Deus! Empatia. Se coloquem no lugar do outro. Ouçam o que o outro tem a dizer. Abram espaço para conhecer outras realidades que não são a sua. Conheça o mundo por inteiro e não só a parte que te contempla. E aí, talvez, a gente possa combater todo o tipo de maldade que ainda está por vir. 

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