Azar Crônico

O fantástico mundo de Lari: a menina singular

15 de novembro de 2015

Lari foi embora para o Rio de Janeiro, na imagem tem um mapa do Brasil, apenas Rondônia e Rio de Janeiro estão coloridos.
As pessoas são bem diferentes umas das outras, disso já sabemos, é claro. Mas tem gente que exala singularidade, que é especial, diferente e sabemos de cara quando conhecemos alguém assim. Uns anos atrás conheci alguém singular e que saiu para ganhar o mundo na última semana. Esse texto é uma homenagem para a Lari, minha amiga singular, e para todos os singulares que andam por aí colorindo a vida de pessoas não tão singulares.

Grandes olhos castanhos, curiosos como o de uma criança e tão doces quanto o pacote de jujuba que carrega na bolsa, não importa pra onde vá. Há quem diga que Lari foi camaleão em outra vida, hoje é morena, amanhã já estará ruiva e planejando para a próxima semana ter as sete cores do arco-íris na cabeça. Dos lábios carnudos ninguém consegue tirar o batom vermelho. Ama filmes e expõe isso de todas as formas que pode. Nos dedos alguns anéis do humor, daqueles que ninguém acredita que funciona. Mas Lari ama esses anéis desde que viu “Meu primeiro amor” pela primeira vez, há uns bons anos atrás. Ela acredita, agarra-se no que pode lhe dar esperanças de que não vive num mundo preto e branco.

No pescoço um colar com pingente de abacaxi que ganhou de uma amiga antes de partir, por causa da piña colada que a Jenna toma no filme “De repente 30”. Seu quarto mais parece uma extensão de sua alma do que um lugar para dormir. Chamado de “O fantástico mundo de Lari” por seus amigos, possuí uma parede de quadro negro, com frases dos filmes preferidos, com desenhos e outros rabiscos. Recortes de revista, colagens, alguns poster de filmes e livros ocupam as outras paredes. É um quarto com vida, das cores que a Lari quis pintar. 

É madura como uma anciã, não perde a paciência por qualquer coisa, evita julgar, evita falar mau. Busca entender as pessoas e suas escolhas. A alma é de criança. O olhar atento ao mundo, enxerga o que os adultos de alma crescida ignoram, gosta dos detalhes. Não faz questão de dinheiro demais, nem de amigos demais. Faz questão de bons momentos para recordar, ao lado de amigos verdadeiros e ao som de uma boa trilha sonora.

Mulheres geralmente nascem com o instinto materno, mas poucas nascem com o instinto fraterno aflorado como o de Lari. Sabe, sem que te veja ou que você diga, quando você precisa daquele socorro, de um abraço amigo ou, até, do momento de te deixar ficar só. Sabe quando uma mensagem de um amigo faz toda a diferença, faz papel de melhor amiga, mesmo que outra pessoa ocupe esse cargo, sem esperar nada em troca. 

Lari ganhou asas e saiu para ganhar o mundo. Chego a notar a cidade menos colorida por aqui. O mundo mal sabe o quanto é sortudo por Lari o desejá-lo. Espero que seja esperto, tanto quando aquele pequeno quarto, em abraça-la de coração aberto, deixando-se colorir por ela.

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