Dois Quartos

Sobre experiências malucas e desafiadoras – Parte 1

16 de outubro de 2019

tela com códigos de programação sobre experiências malucas desafiadoras programação

E aí, rapeize? Comé que cêis tão? Eu, fui me meter com programação. Aham, aquelas de computador e códigos mesmo. Eu, formada em Cinema, roteirista, escritora e blablabla, resolvi me meter com isso. Então, vamos falar sobre uma das experências mais doidas que eu já vivi.

Mas, primeiro, quero falar que eu tô cansada. Não da vida e nem nada (se você estiver, converse com alguém, ligue pro CVV – Centro de Valorização a Vida 188, se necessário, e troque uma ideia com a galera lá. Você não precisa passar por isso sozinhx). Não, eu tô cansada fisicamente mesmo. Por estar dormindo menos do que cinco horas por noite, por não ter tempo de lavar meu cabelo e tirar o esmalte descascado, por não ter um dia de descanso sequer nas próximas três semanas e por ter que escrever esse texto no metrô de São Paulo. O qual estou estrategicamente posicionada perto da porta e devidamente espremida nesse exato momento que vos escrevo, às 8h37 da manhã de uma segunda-feira.

“Mas, Helena” – você me pergunta – “Que diabos a senhora está fazendo?”. E eu te respondo que estou participando de uma das experiências mais malucas e desafiadoras da minha vida. Estou programando.

Aí, vem sua segunda pergunta: “Você está sobre o efeito de um forte psicotrópico?” (Bacurau ♡). Não, mulher. Não tô.

O que acontece é o seguinte: por algum motivo, eu estou em um grupo de mulheres programadoras no falecido FB. Aí, a algum tempo atrás, alguém compartilhou uma notícia que uma tal de École 42 (alô, francês do Duolingo!), estava abrindo em São Paulo (a do Rio de Janeiro abriu em 2018). A 42 (quarenta e dois ou quarante deux, para os mais íntimos), é considerada uma das melhores escolas de programação do mundo e foi criada na França, em 2013. Ela se propõe a ensinar, de graça, para qualquer um que quiser aprender, a dita cuja, tendo conhecimento sobre ou não. Há diversas unidades pelo mundo, como, claro, no Vale do Silício, pra onde você pode fazer intercâmbio em uma certa altura do curso.

“Mas é só, sei lá, fazer uma inscrição e começar o curso, Helena?”. Se você já chegou na vida adulta, sabe que as coisas não são tão fáceis assim, né? Então, não. Existe um processo seletivo que consiste em dois jogos online, na primeira fase, uma série de encontros para apresentar a escola e sua proposta, na segunda e, na terceira, última e mais desafiadora fase, a “Piscina”, que é uma imersão intensiva na programação, que dura 28 dias diretos e de onde saem os selecionados para o curso em si, que dura até três anos.

E é justamente nessa fase da piscina que eu estou e que está entrando na segunda semana.

E não se engane, eu não tô exagerando quando digo que essa é uma das experiências mais malucas e desafiadoras. Realmente está sendo uma das mais intensas, diferentes e loucas que eu já vivi. São, acredito, que mais de 180 pessoas por piscina (a que eu estou e outra que vai acontecer em novembro) mergulhados em frente à computadores, códigos, projetos e desafios para tentar uma vaga no curso. “Ain, mas vocês ficam o tempo inteiro na frente de uma máquina, alheios ao mundo e a outros seres humanos?” Muito pelo contrário.

Nessa primeira semana eu já percebi que tudo isso, mais do que um experimento tecnológico, é um experimento social.

Mas falo mais sobre isso no próximo texto, quando eu conseguir um intervalo entre um código e outro (mas é muito programadora ela).
:*

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