Dois Quartos

Procrastinação: essa destruidora de sonhos

12 de agosto de 2020

Em meu primeiro texto aqui do blog, eu comentei que eu era uma procrastinadora. E que a minha procrastinação era no nível hard, do tipo “destruidora de sonhos”.

Pois bem. Chegamos a 2020, naquele caos que todos nós estamos cientes, pandemia, quarentena, Pior Presidente do Mundo (alô, Bozo) e minha procrastinação nunca esteve tão acentuada (sim, vi que é possível piorar). Eu até cheguei a fazer algumas das coisas que me orgulham. Cozinhei, fiz curso, montei um quebra-cabeças de 5 mil peças. Mas me parecia que eu não estava fazendo algo de verdadeiramente significante pra minha vida.

Então, em um domingo, tarde da noite, estava eu fazendo aquilo que é o símbolo mor da procrastinação: rolando meu feed do Instagram. Até que me deparo com um IGTV da antropóloga Débora Diniz.

Se você não conhece a Débora, eu realmente indico fortemente que você pesquise sobre essa mulher. Além de antropóloga e maravilhosa, ela é professora do curso de Direito da Universidade de Brasília, colunista do El País e da Marie Claire e pesquisadora de diversos campos como feminismo, direitos humanos e bioética.

Atualmente, ela atua como pesquisadora visitante no Centro de Estudos Latino-americanos e Caribenhos da Universidade Brown, nos EUA. País que ela teve que se exilar para se proteger de ameaças devido ao seu ativismo a favor dos direitos das mulheres em diversos âmbitos, como o aborto.

Mas, voltando a minha noite de domingo. O tema do IGTV de Débora, que faz parte de uma série de dicas e técnicas sobre escrita acadêmica, era sobre procrastinação. Não falarei muito sobre o conteúdo do vídeo aqui, mas ele me deu a ideia de escrever esse texto e sobre esse problema que, se não te afetou, você não é humano.

Uma das provocações que Débora faz no vídeo é sobre o uso do verbo “procrastinar” como adjetivo. Ela não concorda que “somos” procrastinadores. Mas, sim que “estamos” procrastinadores.

Até porque, “ser um procrastinador”, mexe no campo da nossa moral e ética, inflingindo uma imensa culpa pelo adiamento de nossas obrigações e nos colocando, talvez, como preguiçosos e improdutivos, coisas que também não devem ser usadas como adjetivos.

Mas, em tempos de isolamento social, incertezas e de como nossa saúde mental é afetada por esses fatores, é fácil termos pensamentos ruins acerca de nós mesmos quando não estamos sendo úteis para a sociedade de alguma forma. Ou quando não estamos fazendo tantas coisas como nossos amiguinhos mostram que estão nas redes sociais afora. Note que eu disse “mostram que”, porque sabemos que, muitas vezes, filtros e máscaras são usados de forma exagerada e prejudicial.

Apesar de haver muitos estudos e técnicas para você parar – ou, ao menos, diminuir – a procrastinação (o vídeo citado nesse texto é um deles), todos nós, uma hora ou outra, vamos ter esse problema. Procrastinar faz parte do comportamento humano. Mas não faz parte das características humanas. Então, não se cobre tanto. Não queira ser perfeito. Lembre que isso não existe.

E, quando você tiver uma tarefa para fazer ou um prazo para cumprir, mas não estiver conseguindo se concentrar e não tendo foco, use uma das tantas técnicas existentes que te ajudarão nisso. Aliás, esse texto foi escrito com a ajuda da técnica Pomodoro, uma ótima forma de colocar a procrastinação de lado  não deixá-la virar uma destruidora de sonhos.

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