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O ódio que você semeia: bem adaptado, mas poderia ser melhor

22 de janeiro de 2019

O ódio que você semeia foi a história que mais me impactou em 2018. Juro! Eu vi o trailer e pensei “preciso ler esse livro agora!” e não me arrependi nem por um segundo. A trama gira em torno da Starr, uma adolescente negra que tem sua vida dividida em dois mundos. Pois mora no gueto e estuda em uma escola particular. Exatamente por viver essas duas realidades, Starr acaba sendo duas pessoas ao mesmo tempo. Enquanto em um mundo pode ser ela mesma, no outro precisa tomar cuidado como fala, como se veste e como se comporta de uma forma geral. E só de pensar nisso, já me parece angustiante o suficiente. Inclusive, me lembra do inicio do filme Felicidade Por Um Fio, em que a personagem fala que a mãe lhe fazia muita pressão, por que se ela fosse menos que perfeita, sempre culpariam a mãe. 

A outra conversa foi sobre o que fazer se um policial me parasse. Mamãe se agitou e falou para o papai que eu era nova demais para isso. Ele argumentou que eu não era nova demais para ser prese nem levar um tiro.

A premissa aqui é bem semelhante. Os pais de Starr tomam muito cuidado para instruir os filhos sobre como se comportar, principalmente quando forem parados pela policia. Mas, também tomam o cuidado de instrui-los para ter orgulho de quem são e das lutas diárias que a população negra enfrenta. Entretanto, fora todo o contexto da vida da Starr, nós temos Khalil. Seu melhor amigo, que é morto pela polícia, na frente da Starr. A partir disso, ela começa a entender melhor a realidade das pessoas do gueto e faz o possível para ajudar que a situação de Khalil seja julgada da forma correta.

O ódio que você semeia, para mim, é um choque de realidade. Não que eu fosse alienada e não fizesse a menor ideia que situações como essa existam na vida real. Pelo contrário, eu sei e li esse livro exatamente por querer saber mais dessa realidade. Mesmo não sendo um livro de não ficção. Só que ele nos leva para camadas muito mais profundas do que estamos esperando. E fala sobre assuntos pesados e sobre a empatia. Que mesmo sendo necessária, ainda é tão escassa nesse mundão de meu Deus. Mais do que isso, acho necessário conhecer a realidade que eu não vivo, para poder ter empatia com quem vive. 

Esperei muito pelo filme, talvez seja esse o problema

Criei uma expectativa em cima do filme e a decepção começou logo quando a empresa não distribuiu ele como deveria. Nem chegou a ser exibido onde eu moro, assim como na maior parte do país. E, sinceramente, é muito provável que isso tenha relação com o conteúdo dele. Talvez também tenha relação com a situação política do país, mas sei lá! Eu não entendo nada sobre o assunto, mas queria muito ter visto assim que lançou. O filme tem uma trama até bem fiel ao livro, com alguns pontos meio baixos. Como algumas cenas que não entraram e eram importantes para o contexto geral. E personagens também. No livro, tem um personagem que quer sair de uma gangue e pede ajuda para o pai da Starr. O que mostra um foco paralelo e mega importante para a história. 

Mas, minha decepção maior foi quanto ao King. No livro, ele é um personagem enorme! Alto, gordo, e que enche a gente de medo só de citar o nome dele numa conversa. No filme, o ator que o interpretou, foi o Anthony Mackie, que eu conheço por atuar em comédia. Nunca tinha visto ele em um filme mais sério, então eu já não botei muita fé no papel de King. Além disso, ele é magro e menor que o pai da Starr. Então, não mete medo, como deveria. Mas atuou super bem e fora isso, não tenho nada a reclamar. Para ser sincera, todos os atores se encaixaram bem com os personagens. Entretanto, a minha favorita é a Amandla Stenberg no papel da Starr. Ela é uma pessoa admirável e uma excelente atriz! 

Sendo assim, continuo acreditando que O ódio que você semeia é uma história que precisa ser lida ou assistida por qualquer pessoa. Se você gosta de ler, indico ler o livro primeiro. Por que ele é sensacional de uma maneira que o filme jamais conseguiria atingir. Mas, o filme também é bom e também passa a mensagem que foi proposta. Qual você vai escolher, já fica a seu critério! 

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