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O lar da Srta. Peregrine para crianças peculiares – Ransom Riggs

22 de janeiro de 2018

Autor: Ransom Riggs;
Editora: Intrínseca;
Páginas: 352;
Sinopse: Jacob Portman cresceu ouvindo as histórias fantásticas que o avô, Abe, contava. Na época da Segunda Guerra Mundial, o avô havia morado numa ilha remota, num casarão que funcionava como abrigo para crianças. Lá, Abe convivera com uma menina que levitava, uma garota que produzia fogo com as mãos, um menino invisível… Entretanto, todas essas histórias foram perdendo o encanto à medida que Jacob crescia. Até que, aos dezesseis anos, tudo volta à tona para se provar real.

Abalado com a morte misteriosa do avô, Jacob decide ir à tal ilha para tentar entender as últimas palavras de Abe: “Encontre a ave. Na fenda. Do outro lado do túmulo do velho.” Ele encontra o casarão em ruínas, mas, ao passar por um túnel subterrâneo, o menino se vê em outra época, décadas atrás: em 3 setembro de 1940. Nesse lugar protegido no tempo, ele conhece crianças com habilidades peculiares e encontra as respostas para todas as suas perguntas. Mas o fascínio inicial logo se transforma em uma luta para sobreviver e salvar a vida de seus novos amigos. (Skoob)

O lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares é um daqueles livros que te chama atenção logo que você o vê nas prateleiras de uma livraria. Bonito, capa dura, cheio de detalhes por dentro e por fora. Por dentro, a trama é narrada por Jacob, um adolescente descolado como outro qualquer. O garoto cresceu ao lado do avô paterno, que deixou sua infância melhor através das histórias que contava. Geralmente, contava sobre o orfanato maravilhoso em que viverá quando criança. Contava sobre as crianças diferentes que viviam ali. Mostrava fotos bizarras daquelas crianças e desandava a falar sobre monstros que os perseguiam. Por acreditar cegamente nas histórias que conta, o avô, Abe, é visto como maluco pela própria família.

Depois que Jacob cresce, as dúvidas lhe cercam: O avô é maluco? Aquelas histórias eram fruto da imaginação de Abe, na tentativa de esquecer os terrores da Segunda Guerra? Ou os monstros que ele diz existir, realmente estão por ali? Apesar das dúvidas, Jacob nunca deixou de admirar o avô. Afinal de contas, ele sobreviveu a segunda guerra mundial, perdeu toda a sua família, viajou pelo mundo e ainda era um avô incrível. Porém, a vida do garoto sofre uma reviravolta quando o Abe é morto de maneira misteriosa. Sofrendo com a perda e ainda confuso com as últimas palavras ditas pelo avô, Jacob resolve buscar respostas. Resolve ir atrás do velho orfanato, na expectativa que a diretora do orfanato, Srta. Peregrine, seja real e ainda esteja viva. Ela poderá ser a chave para todas as suas dúvidas ou a prova de que o avô, de alguma maneira, era louco.

A partir disso, a trama desenrola num ritmo bom. Nem acelerado demais, nos deixando perdidos, nem devagar demais, nos entediando. Ransom Riggs é bem talentoso ao narrar uma história densa como essa. O primeiro contato que tive com o autor, foi ao ler Contos Peculiares, que é um livro extra da série. E é tão apaixonante, que li em apenas algumas horas (mas isso é assunto para outra resenha). Já tinha visto o filme e meio que já sabia do que se tratava a série em si. A primeira vez que vi o livro, fiquei com muito medo das fotos e na dúvida se leria ou não. Mas, ao assistir o filme, o medo passou e a vontade de ler aumentou. Estava com muita saudade de ler algo de fantasia, sabe? Adoro livros assim e me empolguei durante toda a leitura.   

Vá para a ilha, Yakob… Aqui não é seguro. 

Eu amei tantas coisas sobre O lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares que poderia fazer uma listinha (lá vem a louca das listas de novo!). 1- Adorei o plano de fundo da Segunda Guerra Mundial. Adoro livros que trazem questões reais/históricas para desenvolver suas próprias tramas baseadas naquilo. Apesar de a guerra não ser citada com detalhes históricos, a história se desenvolve por conta dela e isso é demais! 2- Os personagens: são cativantes, com personalidades fortes e um passado para contar. Jacob, apesar de ser meio mosca morta no inicio do livro, desenvolve bem sua coragem no resto do livro. Ele quer se superar. Quer sair da zona de conforto, desde que isso contribua para conhecer mais do avô que ama. 

3- A parte gráfica. Nossa, a parte gráfica desse livro tira o fôlego de qualquer um. Não só dele, mas de toda a coleção. As imagens casam perfeitamente com o texto. Cada inicio de capítulo é separado por uma folha que parece um papel de parede antigo. A capa falsa é chamativa, apesar de ser toda preta e branca. A capa dura, vermelha, é linda. E ainda tem a assinatura da Srta. Peregrine na capa. A lombada também é incrível. São muitos adjetivos, eu sei! Mas não dá para falar sobre esse livro, sem falar sobre a sua parte gráfica. 4- Como eu disse, amei ter contato com um bom livro de fantasia de novo. Não sei como vai se desenrolar a história nos próximos livros, mas acho que vai ser uma das minhas coleções favoritas. 

Encontre a ave. Na fenda. Do outro lado do túmulo do velho. Três de setembro de 1940.

5- São poucos capítulos, de um tamanho razoável. Acho que isso colaborou muito para o ritmo do livro e evitou encheção de linguiça. 6- Gostinho de quero mais! Algumas pontas ficam soltas mesmo, abrindo espaço para os próximos livros. E tem uma prévia do segundo livro também. É para morrer de ansiedade. 7- Entrevista com o autor. É impossível não se questionar sobre uma história, quando gostamos dela. Queremos conversar com o autor. Em O lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares é exatamente assim. Principalmente por todas as fotos macabras. Será que são verdadeiras? O autor responde durante a entrevista no fim do livro! 

Enfim, já deu de perceber que eu amei, né? Está mais do que recomendado. Se você já leu, comenta o que achou sem dar spoilers. E, se conhece outras coleções empolgantes como essa, me indica aí nos comentários! 

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