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Love, Simon: talvez eu ame mais o filme, mas só talvez

28 de agosto de 2018

Love, Simon é um livro narrado por um adolescente gay, mas que ainda não “saiu do armário”. Simon é um garoto normal, com uma família normal. Mediano na escola, com bons amigos. Nada de extraordinário ao redor dele. Exceto pelo segredo que esconde. Que, fica ameaçado após ele começar a trocar e-mails anônimos com um outro estudante da sua escola, que está passando pela mesma situação. Dessa forma, juntos vão conseguindo entender mais sobre eles mesmos e como vão contar isso ao resto do mundo. Mas, um menino descobre seus e-mails secretos e começa a chantageá-lo. Como falei na resenha do livro, demorei alguns capítulos para pegar o ritmo. A autora tem um jeito de cortar as cenas muito diferente do que estou acostumada. O que me dificultou no começo. Não que seja ruim.

Na realidade, é bem fiel a vida real, já que lá as coisas acontecem tão rápido quanto em nossa realidade. Vale ressaltar que na primeira versão, o livro tinha o nome de Simon vs. a agenda homo sapiens. Após o lançamento do filme, o livro foi relançado com o nome de Love, Simon. O que, na minha opinião, combina muito mais com a história em si. Existem duas coisas que amo sobre esse livro: 1- como eu disse, o ritmo é bem fiel a realidade. Assim, não há nada improvável de acontecer. Até os diálogos são bem verdadeiros e fluídos. E 2- Simon é comum. Fazendo coisas comuns, como uma pessoa comum. Não tem aquele estereótipo gay ao redor dele, sabe? Aquela coisa toda artificial que impõe aos homossexuais. Sem contar o fato de que a autora, Becky Albertalli, trata tudo com muita naturalidade. 

Como a adaptação se saiu:

Primeiramente, a escolha dos atores parece ter sido completamente baseada na descrição dos personagens. Esse foi o ponto mais fiel ao livro. Principalmente os pais de Simon e o garoto que fica chantageando ele. Meu Deus, achei que ninguém conseguiria interpretar tão bem toda aquela chatice. Mas, o ator Logan Miller foi certeiro no papel. E, apesar de muita coisa ter sido resumida, além de cenas serem modificadas, achei o roteiro bem mais fluído do que o livro. Love, Simon pegou todas as partes boas do livro e trouxe uma naturalidade ainda maior. Apesar de algumas questões que são debatidas no livro não terem ido para as telonas, o essencial estava lá. Firme e forte. E ainda melhor. Eles conseguiram manter a naturalidade da história e não estereotiparam ninguém. 

Uma mudança ou outra me incomodou. Como, por exemplo, Simon ter suspeitado corretamente de quem era o Blue em um determinado ponto do filme. No livro, ele tem dezenas de palpites errados e isso torna a busca ainda mais divertida. Só que, sejamos sinceros, só quem vai perceber isso é quem já leu o livro. No mais, a trilha sonora compôs muito bem com a trama e, com certeza, em breve vai ter uma playlist especial aqui no blog. Acredito que, entre o filme e o livro, eu fico com o filme. Achei a história mais fluída na adaptação, sem contar que vai atingir maiores públicos. E, definitivamente, Love, Simon é uma história que precisa ser propagada. 

Como não amar Love, Simon?

Confesso que assisti o filme há pouco e ainda não sei por que demorei tanto. Encontro-me completamente apaixonada por cada detalhe. Vibrei e berrei quando Simon finalmente encontrou Blue e rolou aquele beijão digno de qualquer filme de romance. Nem consigo imaginar o quanto esse filme significou para dezenas de jovens LGBTQ+. Jovens que ainda estão no armário, lidando com a própria cabeça. Ou até aqueles que já criaram coragem para enfrentar suas famílias. Mas, talvez a coisa toda seja muito maior que isso. Talvez signifique muito mais para o público um pouco mais velho, sabe? Aqueles que nunca puderam ter contato com nenhum tipo de representatividade. Hoje em dia existem milhares de referencias ao alcance dos adolescentes. Mas, a realidade de uns 10 anos atrás, ou até menos, era bem diferente. Dessa maneira, acredito que Love, Simon toque no coração de muitas pessoas. 

Desde os que nunca foram representados em nenhum tipo de mídia. Até os que já tem suas referencias, mesmo que escassas. Sem contar todas as pessoas que nem são do vale, mas que torcem para que num futuro próximo a homofobia fique no passado. Sendo assim, Love, Simon é muito mais do que um romance adolescente sobre um garoto comum saindo do armário. Love, Simon é uma vitória para muitos. Principalmente em filme, pois existem mais pessoas que assistem filmes do que leitores. Portanto, só posso dizer que vale apena acompanhar a história de Simon em qualquer formato. E só posso torcer para que histórias como essa se multipliquem, tanto nos livros, quanto no cinema ou tv. 

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