Dois Quartos

Documentários sobre o Universo: um sentimento libertador

23 de setembro de 2020

 

Se tem uma coisa que eu fiz na quarentena (e estou fazendo porque ainda não acabou meudeusdocéuatéquando?) foi consumir uma diversidade de conteúdos. Entre eles, documentários. Mais especificamente, documentários sobre o Universo, o Cosmos e os astros. Por mais estranho que possa parecer, assistir – e aprender – sobre galáxias, estrelas anãs, buracos negros e a imensidão disso tudo, coloca as coisas em perspectiva. E isso traz, de certa forma, um sentimento libertador.


Aprendemos desde sempre que o universo é infinito – pelo menos até onde a gente sabe. E, o que a gente sabe, é quase nada. Cientistas dizem que a nossa tecnologia de hoje é capaz de ir somente até certa distância e o que a gente consegue captar, é chamado de Universo Observável.

Não vou entrar em detalhes científicos porque, primeiro, não tenho conhecimentos teóricos sobre o assunto (sou somente uma mera telespectadora de documentários sobre o Universo) e, segundo, não é o objetivo desse texto. Mas, o que se sabe, é que, o que conhecemos sobre o extraterreste, é praticamente nada.

Sabendo disso tudo – que sei que nada sei (beijos Platão) – ainda tem um detalhe. Que tudo isso, o Universo, as estrelas, os planetas, o que se conhece e o que não se conhece pode acabar a qualquer momento. “Nossa, Helena, que mórbido”, você pode dizer. Mas, na verdade, não é, não. Peraí. Eu vou chegar lá.

Katie Makie é uma cosmóloga que escreveu um livro chamado “O Fim de Tudo” (The End of Everything). Nele, em uma linguagem para as “mentes não científicas” ela diz que, justamente por não se ter certeza de quase nada no Cosmos, não se pode garantir que, no próximo segundo, tudo não acabe. E como isso traz uma “profunda paz”. Nas palavras dela: “Há algo em aceitar a transitoriedade da existência que te liberta um pouco”.

Eu não sei vocês, mas isso me fez pensar que o Universo não tá nem aí pras nossas ações, pros nossos sonhos, pros nossos medos.

Ele pode, simplesmente, dar um fim nisso tudo sem consultar ninguém.

Agora, já que não temos garantia de nada mesmo, porque é que, na maioria das vezes, a gente se prende a convenções mesquinhas e pitorescas e acabamos não fazendo e vivendo da forma que a gente quer? Claro, não vou dizer que é simplesmente levantar agora e, sei lá, largar seu emprego, abandonar tudo e todos e pronto. Eu sei que dizer isso seria elitista demais da minha parte. Mas tem coisas em que a gente se prende que, quando a gente pára pra pensar em como são pequenas e insignificantes em um contexto geral, parece até ridículo.

Também não posso dizer que eu agora faço tudo o que eu quero e não tô nem aí pro que os outros pensam. Não. É um processo. Mas eu, todo dia, tento pensar que não faz sentido eu ter certos medos e receios. Não tem porque eu não comer aquele pedaço de chocolate ou não mandar aquela mensagem. O pior que pode me acontecer é ganhar umas calorias ou receber um não. E, claro, em relação, principalmente, à rejeição, isso pode me afetar. Mas a vida vai continuar, a terra vai continuar a girar (E SENDO REDONDA), o Sol vai continuar incrivelmente quente e o Universo vai continuar sendo uma incógnita que pode explodir a qualquer momento. Pensar assim não traz um sentimento libertador?

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