Azar Crônico

Desejei você, mais do que qualquer outra coisa

21 de março de 2019

Segunda-feira, sete da manhã. Levanto da cama obrigada, pensando quando foi a última vez que nos encontramos. Nem consigo mensurar mais. Ligo o piloto automático, tomo banho, bebo um café, jogo as coisas na bolsa e corro para pegar o ônibus. No trabalho só consigo pensar como gostaria de estar longe dali e, antes que eu perceba, já estamos no fim do espediente de sexta. “Como cheguei até aqui?”, eu me pergunto. “O que eu fiz de útil durante a semana?”, desejei você. Dia após dia, vivendo em um piloto automático como se essa rotina maldita fosse me levar para mais perto de você. Mas, não ia. Nunca. Mesmo. E o fim de semana passaria mais rápido ainda. 

Minha apatia era tão grande que as pessoas começaram a questionar a minha saúde. “Você está bem?”, as pessoas perguntam. Dou um sorriso amarelo, balanço a cabeça em sentido afirmativo e sigo meu caminho. Mas, como poderia estar bem? Se desejei você noite e dia, mas parecia que estava tão longe de te encontrar? Respirei fundo um zilhão de vezes, tentando não sucumbir nessa loucura de ansiedade que vive na minha cola. Acontece que eu não sei se foi com a sua ajuda ou não, mas a vida me deu aquela rasteira. O chute na bunda merecido. O ponta pé que eu precisava levar. Ou seja lá como você queira chamar. 

Seja qual for o seu sonho, comece. Ousadia tem genialidade, poder e magia.

Johann Goethe

Naquela segunda-feira eu não leventei cedo. Não precisei ligar o piloto automático e nem correr para pegar o ônibus. Não passei o dia desejando a hora do serviço acabar. Na verdade, passei o dia criando um plano estratégico para te encontrar. Por que, sendo muito sincera com você, eu já estava cansada de te esperar. De sonhar com você e de te sentir tão distante, mesmo que você estivesse a um ponta pé de distância. Pisquei e não foi a sexta-feira que chegou. Na verdade, passaram semanas e eu quase não percebi. E quanto mais passava, mais eu me preparava, mais eu trabalhava e mais você se aproximava. 

Meu Deus, como eu desejei você. E quando eu menos esperei, você estava em pé diante de mim. Eu conseguia te alcançar, te sentir. Me senti como alguém se sente quando encontra o amor de sua vida. Borboletas no estomago e um sorriso bobo pregado no rosto. Afinal, não é sempre que a gente alcança os próprios sonhos. Mas, a partir do momento em que desligamos o piloto automático e trabalhamos para isso, fica mais fácil chegar até você. Obrigada por, finalmente, ter vindo até aqui. 

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