Azar Crônico

Comeback: é possível que lar seja um blog e não um lugar?

16 de junho de 2021

Qual a onomatopeia de um espanador?

Sei que esse é o jeito mais aleatório de começar uma postagem depois de tanto tempo. Mas, a verdade é que eu queria começar esse texto de um jeito engraçado, dizendo que estou tirando o pó deste blog amado. Afinal, não seria nem a primeira, nem a segunda e, provavelmente, nem a última vez em que eu faço um comeback aqui. Dessa vez fiquei mais sumida que o normal e esse nem deve ser o meu retorno definitivo. Tendo em vista que esse blog passará por mudanças drásticas (incluindo em seu nome) e tudo ainda está muito desorganizado por dentro e por fora. O X da questão aqui é: eu amo escrever e amo cada parte desse blog. Amo cada colunista que passou por aqui. Amo a equipe atual. E amo cada um de vocês que leem as coisas que escrevemos.

Só que, vira e mexe, me sinto tão confusa, que não consigo verbalizar (ou digitar) o que eu gostaria. Mas, ao mesmo tempo, quanto mais longe eu fico daqui, mais longe eu fico de quem eu sou. E, sendo sincera, os últimos anos foram loucos nessa montanha russa que é o autoconhecimento. Temos muito a conversar. Inclusive, nesse processo de entender tudo isso aqui, percebi que esse blog é como um lar pra mim. Onde várias versões de quem eu sou, se encontram e dão as mãos para seguir juntas para a próxima etapa. E, por isso, quando uma nova versão está surgindo, eu não consigo pertencer aqui. É quase como uma rebelde adolescente, que quer descobrir sozinha quem é. Sem influência externa.

“É possível que lar seja uma pessoa e não um lugar?”

                                                                                  – Anna e o beijo francês

E agora, cá estou eu. Aos meus 25 anos, ressurgindo novamente. Agora, com o coração mais tranquilo, de quem já pode retornar para casa e abraçar os familiares, ou melhor, as outras versões de si, sem medo. Confesso que a aba de rascunhos tem uma infinidade de textos não finalizados. Cartas ao meu falecido pai, desabafos malucos que fariam sentido apenas naquele momento… Textos pela metade, fragmentos de coisas que gostaria de ter dito e não consegui. Também voltei e reli muita coisa. Textos de quando larguei a CLT me ajudaram a renovar as forças para seguir empreendendo. Outros tantos me fizeram rir, tendo em vista que eu nem sequer consigo mais lembrar o por que aquelas coisas que escrevi tinham sentido na época.

Tudo já vinha mudando violentamente. Mas, tenho certeza que o último ano mudou muita gente. Especialmente, para quem pode se dar ao luxo de mergulhar internamente nesses tempos de isolamento. Ou seja, sei que não sou a única que se sente uma versão diferente de quem foi um dia. Pausa para respirar. Não consigo mais formular o que quero dizer. Mas, me proibo de largar isso aqui nos rascunhos. Já sei. Não vai fazer sentido com o que eu estava dizendo nesse paragrafo, tá? Só que tem relação com o texto. Me acompanha aqui.

Lar tá bem longe de ser só a casa da gente

Você não acha? Para pra pensar um minutinho. Tem gente que tem péssima relação com a família e se sente muito mais feliz na casa de um amigo. Ou na escola. Tem gente que se afunda no trabalho, pra não ter que voltar pra casa. Ou praticamente se muda para a casa do namorado, para não ter que conviver com a família. Lar as vezes é só o quarto da gente. Nossa pequena bolha de lugar seguro na terra. As vezes, nem isso. Entretanto, lar também pode ser um estúdio de fotografia. Talvez, quem sabe, um ateliê de pintura. Porém, não precisa ser um estúdio ou ateliê chique como nos filmes. Pode ser a garagem da sua casa, com tintas espalhadas por todo o lado. Afinal, lar também pode ser um abraço de quem se ama. Ou, quem sabe, um blog.

Por mais que a definição de lar seja “Casa onde habita uma família; domicílio, habitação”, é uma palavra que sempre me soou como um lugar para onde a gente corre para se sentir seguro. Amado, protegido. E, infelizmente, nem sempre isso será equivalente a casa da gente. Portanto, cá estou eu abrindo as portas do meu lar. Para que você entre e revire como quiser. Para que você consiga aproveitar ao máximo de quem eu sou e do que posso compartilhar com o mundo. Mas, também estou aqui, para te perguntar: aonde é o seu lar? Talvez, essa seja a pergunta de auto conhecimento que você precisava para se revirar do avesso e descobrir coisas incríveis sobre quem você é. Boa sorte!

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1 Comment

  • Reply Eva Camargo 12 de setembro de 2021 at 22:53

    Meu lar… Acho que é quando vejo minha família unida rindo, quando coloco uma botina e percorro junto com minhas vaquinhas um campo verde que encontra o céu azul, quando abro um livro e sou transportada para um mundo mágico, quando sento para escrever e transformo em arte sentimentos que nem eu mesma entendo. Não sei, mas se eu fosse explicar exatamente o que é lar, eu tentaria exprimir essas sensações, então concordo totalmente que lar definitivamente não é um lugar.
    Talvez lar seja a sensação de pertencimento – e no sentido mais livre da palavra. Não o que diz respeito a posse, mas no que diz respeito de identificação, unidade. Complexo, né? Mas, profundo. Obrigada, Ê, por me fazer pensar nisso.
    Autoconhecimento tem sido uma árdua e até um pouco dolorida aventura que venho desbravando nos últimos tempos, então, te entendo e entendo o afastamento, afinal, um homem só pode enxergar a ilha após sair dela.
    Espero que esteja bem! Beijos, da sua fã.
    Eva.

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