Patrinando

As músicas dos seus sentimentos

10 de março de 2020

Já ouviu ou leu alguma frase para parar de associar músicas com sentimentos e lembranças afetivas, principalmente amorosas, para não “estragar” a experiência de ouvir? Besteira. É bem estúpido.  Acho que todo mundo já teve uma love song (ou crush song). Geralmente é uma música romântica ou safada. E aí o relacionamento acaba e a música continua. Muita gente quer se livrar de tudo desesperadamente: presentes, posts nas redes sociais e até das recordações boas.

Acredito que associar músicas com quaisquer tipos de emoções faz parte do ato de apreciar. Afinal, músicas espelham nossos sentimentos e, muitas vezes, são feitas em momentos de desequilíbrio emocional, seja extrema felicidade, tristeza, raiva ou dor. Assim como tem as love songs, tem as de fossa, feitas para ouvir chorando, tomando sorvete (ou cerveja) ou simplesmente quietinho com uma cara emburrada. Às vezes nem é necessário estar triste para captar melancolia ou algo do tipo na letra. Há gêneros que são conhecidos por passar esse tipo de sensação, como o blues.

Tudo faz parte da vida: sem tristeza, não damos valor ao momentos de felicidade. Sem o luto, não apreciamos a finitude da vida. A arte nos ajuda a suportar, entender e extravasar tudo isso. Quem nunca cantou num karaokê algo pensando em dedicar para alguém? Ou até mesmo fez isso olhando bem nos olhos da pessoa amada? Relacionamentos afetivos, amizades, trabalhos: tudo vai e vem conforme a rotina muda. As playlists também mudam. As tendências musicais acompanham a faixa etária, mesmo que chegue num momento em que a maioria das pessoas pare de consumir música nova e se prendam à nostalgia de tempos que nunca voltarão. A vida tem trilha sonora. Não coloque no mudo.

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