Azar Crônico

Ansiedade: aliviando um problema antigo

22 de março de 2018

Eu sempre fui ansiosa. Tem gente que desconta a ansiedade em roer unha. Tem gente que não dorme. E tem gente que come desgovernadamente quando está ansioso. Eu me encaixo no terceiro caso. Definitivamente, a ansiedade me acompanhou a vida inteira. Houveram momentos que eu tentei ser forte e controlar isso. Meu pai costumava contar um episódio da minha infância em que eu resisti bravamente. Eu tinha uns quatro anos, faltavam uns 5 dias para o dia das crianças e uma caixa de presente enorme brotou em cima do guarda-roupa dos meus pais. Eu, que sempre ficava deitada com eles, não tirava o olho da caixa. Papai perguntava: Quer abrir? E, bravamente, respondi: Não. O diálogo seguiu igual pelos 5 dias até o tão esperado dia das crianças. Era uma boneca enorme, linda, que levou o nome da minha tia Rosana. 

Mas, eu sempre fui ansiosa. Isso atrapalha minha vida em níveis inimagináveis. Engordo absurdos por ansiedade e tenho sérios problemas para dormir. Principalmente, quando sei que algo que quero muito está para acontecer. Eu desisti de projetos, várias e várias vezes, por que minha ansiedade estava lá me perturbando. Com o Ré principalmente. Desisti do blog milhares de vezes por achar que estava falando sozinha. Mesmo sabendo que tinham pessoas aí do outro lado. Cheguei ao ponto de quase desistir de participar de um congresso de comunicação, só por imaginar que talvez não desse certo. Acabei cedendo aos argumentos de alguns professores e ganhei um prêmio naquele congresso. 

Foi aí que a ficha caiu, sabe? Quantas coisas eu deixei de fazer até aqui por ansiedade? Que monstro era esse que, mesmo não sendo físico, governava mais a minha história do que eu mesma? Por que a ansiedade tem o poder de me impedir de alcançar resultados bacanas? Ei, ansiedade, deixa eu te contar uma coisa: quem manda na minha vida sou eu! Mas, eu sempre fui ansiosa e combater esse monstro é uma tarefa difícil. Quase impossível. Só quem lida diariamente com ansiedade sabe do que estou falando. Ansiedade te rouba o ar. Te rouba a noção de tempo e causa vários problemas de saúde.

Encontrando uma saída 

Eu sempre fui ansiosa. Só que, de uns 3 meses pra cá, eu comecei a perceber que a minha ansiedade anda muito controlada. Até então, eu não saberia dizer o motivo, mas seguia muito satisfeita por isso. Até que vi uma tirinha no facebook, em que falava sobre não conseguir fazer o que ama, por que tem obrigações para fazer. E não consegue fazer as obrigações por que está desmotivada, já que não faz mais o que ama. Assim como ganhar um prêmio do qual eu quase abri mão, essa tirinha me serviu de estalo. Foi quase um: acorda, trouxa! Agora eu sei por que minha ansiedade está mais “controlada”. 

Eu tenho feito o que gosto. Desde que voltei para o blog, me sinto mais disposta para a vida. Mais aberta a conversar, mais motivada. Fazer o que ama, realmente tem um efeito estarrecedor em nossas vidas. Então, se você aí que está lendo isso, lida com a ansiedade, vem cá. Para um minuto e pensa: “O que eu AMO fazer?”. Depois, só vai e faz. Não precisa ser perfeito, você só precisa fazer. Quanto mais você praticar o que gosta, mais vai evoluir e melhorar. De dentro pra fora, eu juro. “Ah, mas eu não tenho tempo”. Ah, para! Você sabe que tem. Eu vivi por anos me dando essa desculpa. Hoje, consigo manter o projeto que mais gosto, mesmo trabalhando por dois turnos em um escritório. Ache espaço para você em sua agenda. Do mesmo modo, inclua o que te faz bem nas suas tarefas diárias. 

Mas, eu sempre fui ansiosa e continuo sendo. Fazer o que ama não é uma cura. É um alívio. 

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1 Comment

  • Reply Recomeços: o universo te chutou para fora da zona de conforto | Ré Menor 30 de agosto de 2018 at 19:12

    […] ninguém é de ferro e ser pega de surpresa é um inferno. Confesso que, me entendendo como uma das pessoas mais ansiosas que eu conheço, achei que a angustia duraria mais tempo. Acreditei que ficaria perdida por mais […]

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