Dois Quartos

A experiência de viajar sozinha: perrengues, borrachudos e aprendizados

12 de fevereiro de 2020

mulher com mochila nas costas andando pelo trilho de trem

Semana passada tive, pela primeira vez, a experiência de viajar sozinha. Depois de passar por alguns perrengues e várias picadas de borrachudo, percebi a quantidade de aprendizado que eu tirei disso tudo.

Bom, no começo de janeiro me veio, não sei de onde – até porque não sou a pessoa mais solar do mundo – a urgência de ir para a praia. Não sei se foi pelo fato de ver todo mundo de férias viajando ou de me cansar da minha aparência pálida.

A questão é que, depois de decidir que queria algum lugar com praia e cachoeira e de pesquisar alguns destinos, resolvi ir para Ilhabela, no litoral de São Paulo.

Reservei o hostel, procurei saber mais sobre o lugar (se era de boa ir sozinha e tal), fiz umas pequenas compras (como o repelente mais potente do mercado e que custou quase 70 reais!!) e, no dia 4 de fevereiro, peguei o ônibus. Aí já veio um pequeno contratempo: eu havia comprado minha passagem para ir pelo trecho mais rápido, mas, devido às chuvas, este estava bloqueado e tivemos que ir pelo trecho mais longo, o que acrescentou duas horas a viagem.

Chegando no hostel, que é super simples, mas extremamente confortável e acolhedor, tive a agradável surpresa de descobrir que a maioria dos hóspedes por lá, eram gringos. O que me deu a incrível oportunidade de treinar meu inglês – que, surpreendentemente, descobri que consigo me falar muito bem.

O mais legal de ficar em hostel é essa possibilidade de você conhecer tanta gente nova e diferente. Conheci francesas, alemães, argentinos, ingleses, israelenses e, claro, gente de outros estados desse nosso Brasilzão.

E, com todos eles, aprendi alguma coisa. Desde palavras em outras línguas até lições de vida mesmo.

Mas, é claro, nem tudo são flores. Aprendi também que, se você não tem muita experiência com trilha, pegue leve quando você for escolher fazer uma. Eu resolvi fazer uma das mais difíceis da ilha (que, talvez pela dificuldade, me proporcionou umas das paisagens mais lindas que eu já vi no final) e saí com um joelho inchado, um ralado bem feio na mão e diversas picadas de borrachudos.

E, falando nesses pequenos demônios alados, se algum dia você resolver se aventurar por lá, não os subestime. O repelente que eu comprei – que, como eu já disse, custou quase 70 conto e tinha que ser bom mesmo – realmente fazia seu trabalho. Mas, mesmo com sua eficácia, se eu me molhasse, seja por entrar na água ou por suar, eles aproveitavam – e muito – esse tempo de alguns minutos que eu levava para retocar o repelente. E também tive a surpresa – agora nada agradável – de que sou alérgica a essas picadas e tive que tomar um anti-histamínico. Então, cuidado.

Passado os seis dias, chegou a hora de ir embora.

E, mais uma vez, a chuva redefiniu meus planos.

Por causa das tempestades em São Paulo, nenhum ônibus estava indo para a capital naquele dia. Por isso, tive que ficar em São Sebastião mais um dia. O que, sinceramente, não foi um problema. O dia que fiquei lá foi bem legal. Andei pelo centro histórico, fui a uma exposição (não poderia ir embora sem passar por um museu) e descobri que essa cidade também é muito charmosa e acolhedora.

No dia seguinte, consegui ir embora. Inclusive, no mesmo ônibus de duas mulheres maravilhosas que conheci no hostel em Ilhabela, a Jéssica e a Thamires. Então, depois de quase seis horas (duas delas gastas no trânsito de São Paulo) cheguei em casa.

Foram muitas coisas que eu tirei dessa experiência de viajar sozinha. Conhecer novas pessoas, de diferentes culturas e vivências, com certeza, foi uma das mais incríveis. Ter a oportunidade e o privilégio de ver vistas maravilhosas e de tirar o fôlego, também entra pra essa categoria.

E, quer saber, os perrengues, picadas e machucados foram super válidos também. Afinal, é com eles que a gente aprende as lições mais valiosas, não é? E, uma delas, foi a de que eu quero fazer isso cada vez mais.

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