Azar Crônico

O poder das decisões e suas consequências

17 de agosto de 2017

Eram 8h15, Cecília tinha acabado de pegar um táxi, pois precisava chegar na empresa às 8h30, para uma entrevista de emprego. Naquela manhã seu despertador não tocou e, como não conseguiu dormir de ansiedade, perdeu a hora de levantar. Para piorar, nenhuma roupa parecia certa, o cabelo parecia um ninho de passarinho e o delineador nunca saia correto. O trânsito não andava. “Meu Deus, por quê?”, era tudo que conseguia pensar. No caminho até ali, na mistura de estresse e ansiedade, já tinha sido grossa com umas três pessoas. Dentre elas, sua mãe e o taxista.

Ao descer do táxi, trombou com um homem, aparentemente, tão apressado quanto ela. Cecília perdeu o equilibrio e foi parar no chão. Sua bolsa, que não estava fechada, espalhou todos os pertences pela calçada na frente da empresa.

– Moça, me desculpa! – Disse o homem, estendendo a mão para lhe ajudar a levantar.

– VOCÊ NÃO OLHA POR ONDE ANDA NÃO? – Recusou a gentileza, levantou espanando a roupa. – DROGA! Agora eu tô toda suja, cara. Olha o que você fez. BABACA. VOCÊ É IMBECIL?

– Desculpa, moça. Eu estou super atrasado para um compromisso. Na correria, não vi você vindo. – Ele juntou todos os pertences dela e devolveu a bolsa, lhe entregando. Cecília puxou a bolsa da mão do homem, lhe fuzilou com o olhar uma última vez e entrou na empresa batendo o pé.

Quando foi chamada para entrar na sala de reunião, o queixo dela quase parou no chão. Seu corpo inteiro gelou e só conseguiu dar um sorriso amarelo. O homem com quem tinha esbarrado uns 10 minutos antes, era o dono da empresa. Apesar de ser uma pessoa capacitada para o cargo, Cecília não foi escolhida. Como era uma vaga de chefia de um setor, o homem ficou com medo dela reagir de maneira grosseira toda vez que alguém fizesse algo de errado.

O poder das decisões e suas consequências

No dia a dia não temos noção do quando cada uma das nossas decisões influênciam nossa vida. Não temos a menor ideia de que decisões simples, vão afetar não só a gente, mas as pessoas ao nosso redor também. O quanto cada decisão tem um poder enorme. Não estou falando sobre as grandes decisões. Como mudar de emprego, comprar uma casa nova ou terminar um relacionamento. Essas, a gente conhece a importância.

Eu estou falando mesmo sobre aquelas decisões pequenas. Como elogiar um desconhecido, sair para correr num domingo de manhã, visitar um idoso. Essas pequenas decisões são tão importantes e poderosas quanto as grandes. Durante a visita, você aprende coisas que nunca imaginou, só de ouvir sobre a história daquele idoso. Talvez, na corrida do domingo, você encontre a inspiração que faltava para prosseguir com aquele projeto que está há muito tempo engavetado.

Os elogios tem um poder tão forte quanto as decisões. As vezes, aquela pessoa que cruzou com você no corredor da empresa, está tendo um dia péssimo. Mas, quando você diz o quando o cabelo dela está lindo ou como fica bem naquele tom de roupa, um sorriso se abre e tudo muda. As vezes, um pequeno elogio te faz ganhar um amigo.

Se Cecília tivesse decidido encarar a situação com bom humor e educação, tudo teria sido diferente. Se ela tivesse até contado para o homem desconhecido que ela estava prestes a fazer uma entrevista de emprego e que também estava atrasada, ele teria enxergado ela de outra maneira. A questão toda aqui é que ela não necessariamente era uma pessoa ruim ou que reagia daquela maneira para tudo. A questão é que por uma decisão ruim, impensada, ela foi prejudicada.

Precisamos aprender que toda decisão gera uma consequência e que nós sempre podemos decidir como vamos encarar a vida e seus obstáculos. Precisamos entender que nem tudo na vida podemos controlar, mas que as decisões que tomamos serão de nossa responsabilidade para sempre.

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