Café com tudo

Sobre independência e ser livre

19 de outubro de 2017


O caminho não é fácil. Mas se for caminhar, recomendo algo mais confortável que um All Star.

É o segundo post que escrevo com o termo “independência” no título, aqui no Ré. Pode até soar estranho para quem já leu meu post anterior, que nem faz tanto tempo assim. Mas, a independência é um termo muito amplo e muito forte na minha vida, dado que hoje o post é – principalmente – sobre mim. Hoje, aos 24 anos eu ainda não sou independente de tudo e de todos. Na real nem anseio ser. A independência que busco é das linhas que contornam meu caminho: quero-as tão amplas que eu quase não as consiga ver. Mas te garanto: não é um caminho fácil.

Tive diversas etapas da vida em que quis sair de casa. Já planejei (e quase fui) morar fora, ou mesmo sair de casa para dividir apartamento com amigo. Hoje ainda não sinto que minha casa é realmente minha, mas é nela que tenho base. Em diversos momentos também quis mudar. Não apenas aquelas mudanças que a gente sempre faz, de cortar o cabelo, fazer a barba ou comprar roupas novas. As mudanças que fiz e continuo fazendo na minha vida têm muito mais impacto dentro.

Minha vida profissional é uma enorme loucura. Desde que, aos 20 anos, cursando o quinto período da faculdade de Engenharia Civil, resolvi que fotografia era minha paixão e que lutaria por ela. Aos 20 anos eu deixava de ser estagiário em obras para correr pelos meus sonhos. Mas, até estes mudaram no caminho. Fui fotógrafo de shows, depois montei junto à um grande amigo uma produtora que fazia desde coberturas de eventos à produções na cidade. Durante mais de três anos fizemos acontecer incontáveis encontros na cidade. Acontece que, de novo, a mudança me forçou a ir além.

Escrever para o Ré Menor tem sido um desafio corriqueiro. Desde que me propus a fazer parte desta equipe, tem sido incrível o ritmo que minha vida tem tomado. A pouco mais de um ano liderando uma produtora audiovisual, já fiz trabalhos de marketing, diversas fotografias, vídeos incríveis, designs gráficos. Em geral, vários destes ao mesmo tempo. Quem me vê trabalhando na Coffee pode ter inúmeras interpretações. Algumas entre: “esse rapaz é louco” ou “essa empresa nunca vai dar certo”, com certeza estão entre elas.

Acontece que minha independência é pautada na liberdade que minha mente precisa ter para voar, cada vez mais longe. Esta independência está em viajar quando e para onde quiser. Está em poder trabalhar voluntariamente em qualquer lugar do mundo, por uma ou duas semanas. Está em poder trabalhar onde quer que seja – mas sempre mantendo a minha identidade e linguagem. Quando lá atrás me perguntaram o que eu queria ser, lembro-me de ter respondido, entre outras coisas: engenheiro, produtor, fotógrafo, cinegrafista, diretor, designer. Eu sinto que sempre estive errado. O que eu quero ser é: livre.

Numa dessas minhas viagens

Essa liberdade tem um custo muito alto a ser pago. Livre não é aquele que não trabalha ou que só faz o que quer. Ou ainda, o que faz o que não quer, apenas para ter sua “liberdade financeira”. Minha liberdade está em fazer infinitas coisas quase ao mesmo tempo -ainda que uma de cada vez-. E, ainda assim, chegar após 17 horas de trabalho e ter prazer em lembrar o que viveu no dia. Está em ser subestimado por dezenas de clientes e surpreendê-los com qualidade. Está em poder viver meus projetos. Minha liberdade não está em escolher onde trabalhar, e sim em trabalhar sempre da melhor forma possível onde quer que seja.

“O trabalho que você faz enquanto fica enrolando é provavelmente o trabalho que você deveria estar fazendo para o resto da sua vida.”

Jessica Hische

O custo disso eu venho pagando há um bom tempo. Já tive limitações de saúde, físicas e mentais. Noites de insônia e crises de ansiedade são (infelizmente) corriqueiras quando o trampo aperta. Várias relações foram sacrificadas ao longo de anos em que me dediquei a isso. Lutar com a própria família para mostrá-los a eles que viver do que você quer é possível, é talvez o fardo mais difícil que eu tenha carregado.

Mas, felizmente, este caminho me trás muito mais benevolências do que sofrimento. Hoje aos 24 anos eu tenho tantas histórias para contar quanto parceiros de produção que já ultrapassam os 40. Ainda que seja complicado para jantar com minha namorada -seja pelo tempo que é escaço ou pela grana que ainda não caiu-. Ter ao lado tanta gente que me motiva e me faz acreditar é o que dá este ânimo.

Este texto está sendo escrito no meio da semana em que realizo o maior trabalho da minha carreira no audiovisual até então. O que não é uma desculpa, visto que o próximo texto que farei aqui será exatamente no meio da semana em que realizarei o maior trabalho da minha carreira, até então. Este texto é uma memória, para que eu possa me lembrar, lá na frente, dos caminhos percorridos. Este texto é, talvez, um incentivo para você caminhar também. Sabendo onde queremos chegar, o caminho se ilumina.

Seguimos com produção por aqui, sempre!

Esse conteúdo foi produzido pelo produtor audiovisual Rafael Vieira. 

You Might Also Like

No Comments

Comente aqui: