Li, Gostei, Resenhei

Garota Interrompida – Susanna Kaysen

29 de Janeiro de 2018


Autor: Susanna Kaysen;
Editora: Única;
Páginas: 189;
Sinopse: NÃO SABER O QUE QUER SER NÃO É UMA OPÇÃO.
Quando a realidade torna-se brutal demais para uma garota de 18 anos, ela é hospitalizada. O ano é 1967 e a realidade é brutal para muitas pessoas. Mesmo assim poucas são consideradas loucas e trancadas por se recusarem a seguir padrões e encarar a realidade. Susanna Kaysen era uma delas. Sua lucidez e percepção do mundo à sua volta era algo que seus pais, amigos e professores não entendiam. E sua vida transformou-se ao colocar os pés pela primeira vez no hospital psiquiátrico McLean, onde, nos dois anos seguintes, Susanna precisou encontrar um novo foco, uma nova interpretação de mundo, um contato com ela mesma. Corpo e mente, em processo de busca, trancada com outras garotas de sua idade.

Garotas marcadas pela sociedade, excluídas, consideradas insanas, doentes e descartadas logo no início da vida adulta. Polly, Georgina, Daisy e Lisa. Estão todas ali. O que é a sanidade? Garotas interrompidas. Um relato pessoal, intenso e brutal que nos faz refletir sobre nosso papel na sociedade. Garota, interrompida é uma leitura obrigatória, que inspirou o filme homônimo sucesso de bilheteria que concedeu a Angelina Jolie seu papel mais importante e o Oscar de melhor atriz coadjuvante. (Skoob)

Queridos jovens da geração ansiedade, me digam como vocês se sentiriam sendo considerados loucos, apenas por não saberem o que querem fazer da vida. Agora pasme, ao descobrir que, em 1967, Susanna Kaysen foi internada em uma clínica psiquiátrica. Por conta da pressão social, Susanna tentou se matar tomando várias aspirinas de uma vez. Porém, aos 18 anos, não poderia ser uma jovem mais normal. Ela não fazia as tarefas solicitadas pelos professores, namorava bastante e não sabia o que ia fazer nos próximos anos de sua vida. E, pelo que conta no decorrer de Garota Interrompida, era basicamente isso.

Dividido em 3 partes, Garota Interrompida nos conduz por uma análise crítica sobre os anos em que viveu internada. Não sou uma leitora ávida de biografias. Mas, a maneira como Susanna conta a sua trajetória é tão envolvente e simples. Tanto que esqueci algumas vezes de que estava lendo um livro de não ficção. Na primeira parte do livro ela conta momentos aleatórios da sua vida. Narra como passou a acreditar parcialmente em sua demência. Sendo que, naquela época, Susanna apenas passava tempo demais pensando. Se questionando sobre fatos da vida. Nos mostrando que pensar era quase um crime. Além de conhecer mais sobre o passado da autora, nós também conhecemos o seu presente durante a internação. Os detalhes sobre a rotina do hospital, as histórias das amigas, igualmente internadas, e sobre sua “cura”.

Na segunda parte, ela passa a detalhar com termos técnicos sobre a loucura. Dando exemplos da sua época no hospital psiquiátrico, mostrando os erros em seus diagnósticos. É a parte mais cansativa de ler, por conta dos termos usados. É bem densa, nos lembrando que se trata de um livro de não-ficção. Na última parte, Susanna explica sua loucura, nos presenteando com um desfecho inesperado. Garota Interrompida se passa há muitas décadas atrás, mas ainda conseguimos encontrar certas semelhanças. Na maneira como os jovens se sentem pressionados e como são subestimados. O livro é uma grande crítica aquela época. Porém, é uma leitura totalmente válida e atemporal.

Você está louca?

Durante a leitura, me senti mergulhada na cabeça de Susanna. Ela expõe seus problemas emocionais, seus erros, suas experiências. Repensando criticamente naqueles dias em que passou naquele hospital. É fácil sentir como aqueles momentos lhe marcaram profundamente, por toda a vida. É um choque de realidade, principalmente por não estar tão longe de problemas que ainda temos com a sociedade super preconceituosa. Por exemplo, até hoje as pessoas encaram muito mal os problemas emocionais. “Fazer terapia é coisa de gente maluca”. Precisamos de livros como esse, para debater mais abertamente temas assim. Temas que interferem diretamente no bem-estar da população. Afinal, os dados sobre suicídio só aumentam cada vez mais.

Susanna é muito boa no que faz. Nas suas análises, nas suas críticas, na maneira como escreve. E, apesar de não ter se tornado uma das minhas leituras favoritas, gostei bastante. Adorei a maneira como ela pega momentos “soltos” da própria vida e constrói a narrativa. Quase como montar uma colcha de retalhos. Como já disse, é uma leitura bastante válida e atemporal. Tenho certeza que vai encantar muita gente ainda!

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