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Felicidade Clandestina – Clarice Lispector

27 de novembro de 2017

Foto do livro Felicidade Clandestina
Autor: Clarice Lispector;
Editora: Rocco;
Páginas: 160;
Sinopse: Desde o início, Clarice Lispector recusou a escravidão dos gêneros. Escrevia por fragmentos que depois montava. Escrevia aos arrancos, transcrevendo um ditado interior. As estruturas clássicas não faziam parte desse ditado. Seu olhar passava por cima das regras, quase voraz em sua busca da essência. Este livro bem o demonstra. É composto por contos escritos em épocas diversas da vida de Clarice. E por não-contos. Muitos deles – como Felicidade clandestina, que dá título ao livro – foram publicados no Caderno B do Jornal do Brasil. Como crônicas. Que também não eram crônicas.

Convidada em 1967 para escrever semanalmente no JB, Clarice deparou-se com um fazer literário novo. Intimidade a princípio, logo negou os padrões vigentes: “Vamos falar a verdade: isto aqui não é crônica coisa nenhuma. Isto é apenas. Não entra em gêneros. Gêneros não me interessam mais”. E “isto” era a mais pura e rica literatura. (Skoob)

Eu tenho uma relação de muito amor por esse livro. 3 anos atrás, quando o blog ainda estava no comecinho, eu fiz um especial em um festival de música, Festival Casarão, em que eu pedia indicações de livros para algumas pessoas, incluindo os músicos das bandas. O músico Bruno Souto indicou Felicidade Clandestina e falou com tanto amor, sobre o livro e sobre Clarice, que eu fiquei louca para ler desde então.

Outra coisa que me faz amar ainda mais esse livro, é que foi o primeiro contato de verdade que eu tive com Clarice. Já tinha lido um livro de frases dela, mas nunca tinha pego seus contos e crônicas para ler. Felicidade Clandestina é um compilado de 25 contos escritos por ela. Contos, crônicas e textos, na realidade. Levando em consideração que ela sempre acreditou que seus textos não se encaixavam nas outras categorias. São 25 histórias leves e sutis, que falam sobre amadurecimento, família e questões existenciais, como a própria felicidade.

“A felicidade sempre iria ser clandestina para mim”

O livro é bem curto e rápido de ler. Não é obrigatório ler os textos na ordem do livro, caso você prefira fazer uma leitura intercalada. Porém, apesar de ser um livro bem singelo, a sua carga de profundidade e sensibilidade é enorme. Foi maravilhoso conhecer Clarice através de Felicidade Clandestina, justamente por ser uma compilação de textos de diferentes fases da sua vida. Por ser uma junção de textos soltos, mas que formam um significado tão bonito. Não quero falar demais para não estragar a sua leitura. Recomendo demais, principalmente para aqueles que nunca tiveram contato com Clarice. É impossível não se apaixonar por ela! 

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