Da página ao play

As vantagens de ser invisível: o filme poderia ser melhor

8 de julho de 2015

Categoria nova aqui no blog! Na realidade, ano passado eu escrevia uma coluna (Da página ao play) para o blog “Cartaz Branco” sobre livros adaptados para o cinema e para a TV. O site esta parado tem um tempo, por conta da vida corrida dos meninos que administravam ele, então resolvi trazer a proposta aqui pro RM depois de conversar com o Gus Queiroz, criador do CB.  

Geralmente, não vai ser uma crítica e não vai ter spoilers. Vai ser mais um resumão e comparativo entre o livro e a adaptação, beleza? Espero que gostem :)

cartaz de divulgação de As vantagens de ser invisivel

O livro As vantagens de ser invisível é contado por Charlie. Um garoto que narra seu dia-a-dia, durante um ano, em cartas para um amigo desconhecido para o leitor e pra ele também. Charlie não quer se identificar com muitos detalhes, quer apenas compartilhar um pouco de sua vida com alguém, e você não faz ideia de onde ele é ou coisas simples como o nome de seus pais.

É um personagem de quinze anos, que está iniciando o ensino médio, seu melhor amigo acabou de se matar e nem sequer deixou um bilhete de despedida. Charlie é tímido, solitário, doce, chorão e gasta boa parte do seu tempo lendo ou pensando. Tem muita vontade de “participar”, de ter amigos, de se divertir. Pouco tempo depois, ele é acolhido para fazer parte de um grupo de amigos, um pouco mais velhos que ele. Dentre eles estão Patrick e Sam, que se tornam seus melhores amigos.

O narrador-personagem é algo positivo e ao mesmo tempo negativo. Positivo por que Charlie é um personagem confuso, complicado e você tem a chance de conhecê-lo melhor, de saber o que ele está passando ou sentindo com a situação. Já o ponto negativo é que tudo que você sabe sobre os outros personagens é o que Charlie conta. Particularmente gosto da narrativa dele, vai e volta nos assuntos.

 

Cena do filme As vantagens de ser invisivel

Outro ponto forte do livro é que ele cita muitas músicas que ele gosta e livros que Bill, seu professor de inglês, vem lhe dando para ler. Gosto quando livros citam outros livros e músicas, por que parece que o autor ou até mesmo o próprio personagem esta te indicando coisas que ele gosta. A história se torna real, como se você estivesse conhecendo alguém de longe, que as vezes escuta as mesmas bandas que você.

Já conhecia o trio principal de atores de outros filmes e adorei a escolha deles para interpretar cada personagem. Logan Lerman consegue passar bem a doçura e confusão interna do Charlie. Ezra é um ator sensacional, não imagino outro ator interpretando o Patrick. Já Emma Watson consegue passar o carisma da Sam, equilibrando a personalidade meiga com os momentos mais “sexy” da personagem. Mary Elizabeth e Candace (que nunca aparece o nome no livro, mas no filme deram esse nome para a irmã de Charlie) também foram bem escolhidas. Apesar de a irmã ter uma influência maior no livro. 

Cena do filme As vantagens de ser invisível

Terminei de ler As vantagens de ser invisível e assisti o filme pela terceira vez no mesmo dia. Durante a leitura do livro eu ficava me perguntando coisas como: Uai, mas esse personagem tinha no filme? E isso não aconteceu em outro momento? Claro que já estou acostumada a assistir adaptações e sei como elas podem ser distorcidas, então paguei pra ver. Logo entendi por que não lembrava de algumas coisas, sendo que eu tinha visto o filme duas vezes e ele tinha passado tão “batido” por mim.

Senti falta das narrações de Charlie, as cartas pareciam apenas enviadas a cada quatro ou cinco meses. Sendo que as cartas têm diferenças de dias no livro. O filme mistura uma série de conflitos dos outros personagens e esquece de dar atenção ao clímax do livro. Exemplo: Charlie toma muitas decisões no filme, se oferece para ajudar Sam com o seu problema nos estudos (coisa que nem existe nas páginas originais). Ele tem atitude, mesmo que pouca.

livro As vantagens de ser invisivel

O livro é maravilhoso, mas o filme passa meio despercebido

No livro, ele é completamente submisso a todos. Faz o que todos precisam para se sentir bem e se deixa muito de lado. Coisa que faz ele e Sam terem um diálogo muito importante no fim do livro. Diálogo em que a menina dá um choque de realidade nele. No filme, as frases dela saíram da boca dele, de uma maneira menos impactante. Era só Charlie reconhecendo quem ele era. O personagem principal perdeu totalmente sua “essência” no filme. Fez a história não passar de mais um filminho adolescente mal adaptado. Algumas cenas importantes foram cortadas do roteiro, outras foram embaralhadas e modificadas. Achei que pecaram no exagero do bulling que ele sofre na escola, não é bem assim. É mais aquela coisa de olharem feio pra ele e não exatamente dizer isso ou xingá-lo.

Deixaram a desejar na amizade dele com o professor Bill, que o influência durante todo o ano, através de livros e trabalhos extras curriculares. No filme ficou muito superficial. Apesar de tudo, das cenas terem sofrido alterações ou temas importantes não terem sido levados em conta, os atores são bons e deram realidade para o universo. Para piorar minha decepção, descobri que o diretor do filme é o autor do livro. E estou até agora me perguntando por que ele fez o Charlie perder sua essência.  O filme é bom da sua maneira, mas não chega nem perto de fixar na mente de alguém como o livro. 

Post publicado originalmente no site Cartaz Branco

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