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3 generations: um retrato sobre um homem trans

25 de novembro de 2017

Gênero: Comédia, drama;
Ano: 2015;
Roteiro: Gaby Dellal, Nikole Beckwith;
Direção: Gaby Dellal;
Sinopse: Ray nasceu mulher, mas nunca se identificou com o gênero e se prepara para fazer a cirurgia de transgenitalização. Sua mãe, Maggie, tenta encontrar a melhor forma de lidar com a questão, mas a avó homossexual de Ray, Dolly, recusa-se a aceitar a resolução e cria um conflito familiar. (Filmow)

3 generations (ou Meu nome é Ray) conta a história de um menino transgênero, Ray, que está se preparando para começar a tomar os hormônios. O problema é que ele precisa de autorização do pai e da mãe para prosseguir com o tratamento. Criado pela mãe, pela avó e pela esposa, ele nunca teve contato com o pai e vários problemas familiares vão desenrolar a partir disso.

No filme, nós não temos a oportunidade de saber o histórico do rapaz. De como foi a sua descoberta e a aceitação da família. Nós já conhecemos todos em um momento mais avanço. A mãe e o Ray já passaram por anos de terapia, ambos já falam sobre ele com pronomes masculinos. E, a avó, que é lésbica, tem muita dificuldade de entender por que ele quer ser menino e não apenas ser uma menina lésbica.

Ray (Elle Fanning) é um personagem pouco carismático. Apesar de ser completamente compreensível a sua revolta, ele é meio chato as vezes. Sua mãe, Maggie (Naomi Watts), faz de tudo para que ele saiba que é bem aceito e luta para que realize o sonho de passar pela transição. Deixando de lado todas as suas dúvidas e preocupações de mãe, colocando-o em primeiro lugar. Suas avós, Dolly (Susan Sarandon) e Frances (Linda Emond), são fofas e queridas, carregando toda a parte leve e divertida do filme. Todas interpretam maravilhosamente bem seus personagens, principalmente a Elle Fanning. 

Não vá com sede ao pote:

O ponto mais negativo aqui é o roteiro meio confuso. Por ser um tema pouco abordado, a gente fica na expectativa de ter o foco voltado para o Ray, para a sua trajetória, e para as questões trans mesmo. Mas o filme acaba sendo voltado para a relação familiar. Os conflitos da Maggie com a própria mãe e com o pai do Ray, que esteve ausente a vida inteira e agora quer opinar se ele pode ou não tomar os hormônios.

Outra coisa é que Alguns pontos ficaram meio soltos no roteiro. Como a paixonite que o Ray sente por uma colega de escola ou como o momento em que ele é agredido apenas por ser trans. Entretanto, isso deixa o filme ruim. Pelo contrario, é um recorte de várias situações com as quais pessoas trans reais do mundo todo precisam lidar. Não é um filme didático, que vai te explicar sobre o universo trans. É um filme para quem já conhece esse universo e se interessa sobre o tema.

Como eu disse, apesar de algumas falhas de roteiro, o filme não é ruim. É ótimo, leve. Tratam o tema com muita naturalidade, como a gente precisa que seja. A atuação do quarteto principal é muito boa e fiel a história de seus personagens. 3 generations tem cenas lindas, em primeiro plano e plano detalhe, que dão ainda mais leveza para o filme. Eu adorei e recomendo para todos que se interessam sobre o tema.

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